A casa recebeu-a silenciosamente. Ela largou a bolsa na mesa do hall, chamando:
- Penny, querida, estou de volta.
Não houve resposta, então ela entrou na sala de estar e a mão foi à boca.
Zac estava de pé ao lado da janela. Imóvel e silencioso. Esperando por ela.
Finalmente, ela disse:
- Se você veio para me dizer que aqui é sua casa, está atrasado. Já sei. E vou me mudar assim que for possível.
- Não - ele disse. - Não é por isso que estou aqui. Ou você acha que eu aceitaria sua fuga assim, mia sposa?
- Você não tem escolha - ela disse. - Não vou voltar. Mas não se preocupe. Não quero nada de você. Pretendo arrumar um emprego e um lugar para morar. E vou fazer isso sozinha.
Ele aproximou-se e ela pôde vê-lo com clareza pela primeira vez. Ele estava desarrumado e com a barba por fazer.
- Você faz com que isso pareça tão simples, sua decisão de me privar, em um golpe só, de minha esposa e de meu futuro filho. Mas encontrar emprego não é fácil quando não se tem qualificações.
- Mas vou dar um jeito - ela retrucou. Ele disse lentamente:
- Minha mãe morreu quando eu nasci, Vanessa. Uma morte que meu pai nunca conseguiu aceitar. E por causa disso nunca me aceitou de verdade.
Vane disse:
- Zac...
Ele balançou a cabeça.
- Deixe-me terminar. Preciso lhe contar isso. Para ele, o mundo acabou no dia que ele a perdeu. E alguns anos depois, quando negligenciou um resinado que virou pneumonia, não tentou lutar pela vida. Jurei, quando menino, que nunca deixaria uma mulher ter tanto poder sobre mim. E mantive minha palavra - ele acrescentou. - Até um dia na casa de seu pai, quando você entrou correndo no escritório dele. E pela primeira vez na minha vida entendi o que meu pai tinha sentido.
Vane começou a tremer. Depois de um tempo, Zac continuou, a voz calma e reflexiva:
- Uma vez você disse que me odiava. Eu rezava para que isso não fosse verdade. Disse a mim mesmo que era impossível amar tanto e não receber nada em troca. Que um dia tudo o que eu sentia tinha de alcançar você, tocar você. Que eu só precisava ser paciente. Que haveria um momento em que você sorriria nos meus braços e diria "Ti amo.'" Amo você. Mas você não disse. Nunca! Nem mesmo quando soube que concebemos nosso primeiro filho. E isso foi o mais doloroso de tudo.
- Você fala de dor? - ela retrucou. - Você ousa mencionar a palavra amor quando sua amante me fez uma visita, aparentemente com seu consentimento.
- Se você se refere a Valentina, soube que ela esteve na minha casa. Parece que Apollonia deixou-a entrar secretamente, pois sabia que você estava sozinha. Estava sendo paga por Valentina.
Ela abriu a boca, chocada.
- Apollonia estava nos espionando?
- Ela confessou tudo no dia em que você partiu - ele disse. - E Valentina Colona não é minha amante - ele acrescentou com ênfase. - Tivemos um breve envolvimento. Mas terminou logo depois que começou.
Ela respirou fundo.
-Não... não acredito em você.
- Não - ele disse amargamente. - Você prefere acreditar nas mentiras de uma mulher vulgar e vingativa.
- Você nega o que saiu no jornal sobre seus planos de se casar com ela? - ela desafiou.
- Si - ele concordou. - É uma invenção.
- Por que ela faria isso? Ele deu de ombros.
- Porque acredita que é irresistível. E eu não acho. Algo que não consegue perdoar. Mas achei que as mentiras dos jornais eram o mais longe que ela podia ir. Evidentemente, estava errado. - Ele fez uma pausa. - Ela queria me punir. E parece que viu na manipulação de meu casamento já estremecido a vingança ideal. Porque eu também sofreria uma rejeição pública. E pela mulher que Roma inteira sabia que estava carregando um filho meu.
- Mas isso é impossível. Eu mesma não sabia. Não até o dia em que fui embora. Eu passei muito mal quando acordei, então comecei a fazer as contas.
Ele quase sorriu.
- Davvero? Fiz as minhas próprias contas várias semanas atrás. E a mãe de Jared me disse que podia ver no seu rosto e que ela nunca errava. Depois disso, comecei a receber parabéns de todos os lados. - Ele fez uma pausa. - De todo mundo, exceto da mulher que faria com que isso se tornasse realidade. Todos os dias eu esperava que você fosse me contar, mas você não falava. - Ele abaixou a cabeça. - E eu comecei a achar que seu silêncio significava que você estava zangada. Que não queria nosso bebê porque ele ligaria você a mim e você só queria estar livre. Então, eu também comecei a ficar zangado.
Ela encarou-o.
- Foi por isso que você parou de dormir comigo? Ele disse calmamente:
- Um amigo meu é obstetra, um bom homem. Fui até ele porque comecei a pensar na minha mãe, e havia perguntas que eu queria fazer. - Ele fez uma pausa. - E ele me disse que fazer amor nos primeiros meses de gestação poderia machucar o bebê. Que seria melhor esperar até que sua gravidez estivesse estabelecida.
"Naquela noite, percebi como você estava cansada, decidi que seria melhor me afastar da tentação e dormir em outro quarto."
Ela disse, com a voz rouca:
- Eu... eu achei que você não me quisesse...
-Sempre, sempre. - Ele respirou fundo. – E mesmo que você não me ame, ainda assim quero tomar conta de você e do nosso filho. - Ele suspirou. - Se você voltar para mim, para minha proteção, não vou pedir mais nada. Vamos viver como você quiser.
-Vou dizer o que quero: quero que você me pegue nos braços e nunca mais me solte. Porque não há nada neste mundo para mim sem você.
- Na nossa noite de casamento, eu queria ter dito 'Não vá', e ter mostrado o quanto eu queria você. Quero que você durma comigo esta noite e todas as noites pelo resto de nossas vidas. E que você cuide de mim e de todos os bebês que eu espero ter. E desejo com todo o meu coração que você acredite em mim agora, meu querido, quando eu disser ti amo. Eu amo você, amo você... E sempre amei.
Ele caminhou até ela, levantou-a e colocou-a no sofá como se fosse feita de vidro. Depois, ajoelhou-se ao lado, o rosto encostado na barriga dela.
Quando Zac levantou o rosto, os olhos estavam lacrimejantes.
Ele disse suavemente:
- Você acredita em milagres, mi amore?
- Acredito em nós. - Ela beijou-lhe a boca, os lábios quentes e sorridentes contra os dele. - E o que quer que seu amigo médico diga, mio caro - ela sussurrou -, esta noite você vai ter de esquecer. E isso é uma promessa.
E aqui está o ultimo espero que gostem!!
não sei ainda se vai haver outra historia mas este fim - de - semana eu digo alguma coisa!
BJS! e comentem!
olá, peso imensa desculpas mas eu não vou poder postar agora, só vim mesmo para avisar que eu não postei no fim de semana nem agora porque não estou em casa e a historia esta em casa. mas assim que eu estiver eu posto de caminho. por isso lá para quarta a tarde eu posto o ultimo capitulo.
Pensando...
Até que, finalmente, soube o que fazer. E como fazer.
Pálida, mas tranqüila, tocou a campainha.
- Gaspare - ela disse quando ele apareceu. - Você pode pedir para Stefano trazer o carro em dez minutos, por favor? Minha dor de cabeça melhorou e vou almoçar na cidade com a signora Tisdale. - E se odiou por estar mentindo.
- Vane, minha querida. - Leonard Henshaw levantou-se para cumprimentá-la quando ela apareceu no escritório dele. - Que surpresa boa. Quando falei com
Zackary há três dias ele não me disse que você estava planejando uma visita.
Porque ele não sabia, Vane pensou. Não quando tinha saído de casa com uma muda de roupa e o passaporte enfiados na bolsa de mão. Não deixara nem bilhete. Não havia necessidade, pois Valetina teria o maior prazer em explicar-lhe tudo.
Também trouxera o cartão de crédito com um limite astronômico que Zac lhe dera e usou-o pela primeira e última vez para comprar uma passagem de primeira classe para a Inglaterra.
Ela sorriu para o sr. Henshaw.
- É mais do que uma visita. Vim para morar. Em Manor. - Ela fez uma pausa. - Como você sabe, logo é meu aniversário e a guarda vai acabar. Quero ter idéia da quantidade de dinheiro que meu pai me deixou para que eu possa fazer planos.
- Planos? - Henshaw ficou de queixo caído. - Mas minha querida, seu marido, Zackary, ele deve ter falado para você.
Ela disse calmamente:
- O conde Efron e eu nos separamos. E, por favor, não olhe para mim com tristeza - ela acrescentou rapidamente. - Pelo menos eu tenho minha casa e meu dinheiro. Tudo vai ficar bem.
- Minha garota. - Ele estava visivelmente agitado. - Isso é terrível. Era para Zackary ter lhe contado.
Vane ergueu o queixo.
- Não me importo com as explicações do conde. Prefiro saber de você.
Leonard Henshaw levantou-se e caminhou até a janela.
- Seu pai não tinha dinheiro. Antes de morrer, ele perdeu tudo o que tinha em aventuras especulativas. Nem mesmo seu marido conseguiu recuperar mais do que um pouco.
Vane encarou-o.
- Não tenho mais nada? - ela disse. - Vou vender a casa, então.
- Minha querida, seu pai hipotecou a propriedade por mais do que valia. Seu marido pagou os empréstimos e, como conseqüência, a propriedade passou para o nome dele.
- Por que eu não fui advertida?
- Seu pai era um homem orgulhoso, minha cara. Nada podia ser dito enquanto ainda estivesse vivo. E, como esposa de Zackary, o que era dele, naturalmente, se tornaria seu.
- E por que Zackary simplesmente não pagou o que devia a meu pai e deixou a casa para nós? Não podia ter feito isso?
O sr. Henshaw lançou-lhe um olhar austero.
- Seu marido tem sido pura generosidade. E ele nunca deveu dinheiro a seu pai - ele acrescentou. - Era um tipo diferente de dívida.
- Não entendo.
- Alguns anos atrás, quando Zackary Efron estava começando no mundo financeiro, lhe ofereceram o que parecia ser o negócio de uma vida inteira. Que ficaria bilionário antes dos 25. Somente um homem veio até ele como amigo e lhe advertiu que as coisas não eram como pareciam. Que estavam querendo se aproveitar de sua inexperiência. Seus parceiros em potencial estavam envolvidos em um esquema que poderia destruí-lo. Poderia até mesmo ir para a cadeia.
Ele fez uma pausa.
- Esse homem era seu pai. E o conde nunca esqueceu. Então, quando o sr. Travers estava enfrentando dificuldades, ele veio imediatamente ajudá-lo. O único - ele acrescentou com amargura.
Houve um silêncio, depois Vane disse:
- Entendo. Só esperava que eu não estivesse envolvida nessa oferta de ajuda.
- Sinto muito por você se sentir assim. - Henshaw olhou para ela com tristeza. - Sempre achei a conduta de seu marido admirável.
- Mas você não é uma mulher, sr. Henshaw.
A cabeça dela estava girando. Ali estava ela, grávida e sem teto. E assustada. E... sozinha.
Comentem!!!
Olá e obrigada pelos comentários todos que fizeram!!
Para semana ultimo capitulo.
A expressão era de preocupação.
- Quer que eu traga algo para a dor? - ele perguntou em seu inglês cuidadoso.
Ela forçou um sorriso.
- Não, obrigada, Gaspare. - O analgésico para curar essa dor ainda não foi inventado. - Acho que dormir é o melhor que posso fazer.
Ele balançou a cabeça.
- A senhora não será incomodada. - Ele lançou-lhe um olhar de comiseração e partiu.
Ela esticou-se no sofá sem pretender dormir. Precisava se confrontar com seus problemas, mas acabou pegando no sono devido ao cansaço e com ajuda das chamas da lareira.
Talvez quando acordasse as idéias estivessem mais claras.
Porém, quando ela realmente dormiu, não encontrou descanso de fato. Foi atormentada por um monte de imagens infelizes passando por seu cérebro. E mesmo sabendo que eram apenas sonhos, isso não fazia com que fossem mais fáceis de serem suportados. Especialmente quando o rosto que aparecia e desaparecia em sua consciência era o de uma mulher. Um rosto lindo com olhos azuis oblíquos e lábios carnudos curvados em triunfo. Uma voz dizia "Condessa!".
Um rosto e uma voz dos quais precisava escapar, ela pensou, acordando o com susto.
E percebeu que não havia refúgio de seu pesadelo particular. Que, incrivelmente, estava exatamente ali na sala com ela. Valentina Colona, resplandecente em um terno vermelho e pernas negligentemente cruzadas, sentada no sofá à frente.
- Então você finalmente acordou - ela disse. - Pelo menos você não ronca.
Vane encarou-a sem acreditar. Quando falou, Vane não reconheceu a própria voz.
- O que diabos você está fazendo aqui?
-Acho que já está na hora de conversarmos, condessa. Um papo de mulher para mulher. Há coisas que precisam ser ditas, e como a maioria dos homens, Zackary odeia cenas. Então vim aqui para falar por ele.
- Acho que não - Vane levantou-se. - Não sei como você entrou aqui, mas gostaria que saísse. Agora!
- Entrei pela porta. - A mulher mais velha soava entediada. - Alguns de seus funcionários, condessa, reconhecem quem vai ser a verdadeira autoridade nesta casa. Não que eu planeje morar aqui - ela acrescentou olhando ao redor, a expressão depreciativa. - Zackary fez o melhor que pôde para tomar o lugar mais aceitável para mim, mas ainda é antigo demais, deprimente demais. Prefiro a cidade. - Ela olhou para Vane. - Sente-se, condessa, e tente relaxar. Isso é o que mulheres na sua condição devem fazer.
- Na minha condição? Valentina Colona suspirou irritada.
- Você está carregando um filho de Zackary. Não tente negar.
- Ele... ele disse isso?
- Não conseguiu esconder de mim. - Ela deu de ombros. - Eu, claro, não posso ter filhos, o que foi uma grande tristeza para nós dois. Mas você resolveu nosso problema. - Ela exibiu um sorriso radiante. - Dar a Zackary o herdeiro de que ele precisa, minha querida Vanessa, é assim que ele chama você, não é? - Ela fez uma pausa. - Na verdade, eu não vejo razão para você não continuar a morar aqui quando o bebê nascer. Podia fazer parte do acordo de divórcio. Embora isso seja para o futuro, assim que eu estiver livre para me casar novamente. O que não vai ser logo, pois a saúde do meu marido melhorou. Mas eu sei que Rafaele vai desejar que você tenha todo o conforto. E também, como mãe do filho dele, vai sempre ser tratada com todo respeito. Por nós dois.
Conforto, Vane pensou angustiada. Respeito? Quando eu sei que nunca mais vou senti-lo pegando a minha mão, que nunca mais vou dormir cornos lábios dele nos meus cabelos. Quando ele está com... você!
Em voz alta, ela disse fria e claramente:
- E se for uma filha?
- Isso não é uma dificuldade insuperável. Você é jovem e saudável e não acha as atenções de Zackary desagradáveis.
Vane respirou fundo.
- Você me dá nojo - ela disse com grosseria.
Mais um elegante sacudir de ombros.
- Mas a Zackary, com certeza, não, o que é tudo que importa no sexo.
- Tudo o que importa? - Vane repetiu. - E você o ama?
- Mas como você é convencional. Não é de admirar que o tenha entediado tão rapidamente. - Ela sorriu languidamente. - Não foi a primeira vez que o dividi, sua bobinha, e não vai ser a última. Ele gosta de variedade na cama, assim como eu. E ele é atraente, e muito rico. Então, combinamos muito bem. Mas esqueça qualquer sonho romântico, pequena condessa. Ele não entende a palavra "amor" como você. Nunca entendeu. Ele só se importa com o prazer. E é por isso que é tão fascinante como amante. - O sorriso dela alargou-se. - Embora eu espere que você não tenha se apaixonado por ele, cara. Você só vai estar se iludindo. - Ela se levantou. - Por favor, acredite que eu só falei isso para seu bem e para explicar a situação atual - ela disse de forma quase casual. - Espero que nos entendamos melhor e que talvez nos tornemos amigas. Vane levantou o queixo.
- E, por favor, acredite que eu faria amizade mais facilmente com uma cascavel.
Valentina Colona deu um passo na direção dela.
- Você está sendo estúpida. Aceite meu conselho. Adapte-se, aceite e você vai sobreviver. Lute e vai perder tudo, incluindo o direito a seu filho. Zakary se irrita quando vão contra ele, e pode ser impiedoso.
- Ela sorriu novamente. -Agora tenho de ir. Arrivederci. —Ela chegou à porta de vidro que dava para o terraço e parou. - E eu desejo-lhe saúde.
Vane observou a porta abrir e fechar. Viu o terno vermelho cruzar o terraço e desaparecer.
Em seguida, suas pernas ficaram fracas e ela sentou no sofá, olhando para o nada.
Comentem!!!
Eu sei que devia ter postado no fim-de-semana mas não deu. Estive fora e so voltei a noite muito tarde. Este fim-de-semana eu posto.
Desculpem!!
Primeiro queria a avisar que foi acrescentado mais texto no capitulo que postei ontem!!
Em determinado momento Vane caiu no sono, mas acordou ao amanhecer, tremendo e com náuseas. Ela se arrastou da cama e correu para o banheiro, onde vomitou.
Muito champanhe, ela pensou, encostando-se na parede e esperando que o mundo parasse de rodar. Mas não podia culpar o champanhe por tudo o que estava errado em sua vida. Também não podia dizer que estava bêbada quando ficara nua na frente de um homem que não a queria.
Eu sabia exatamente o que estava fazendo, disse a si mesma lavando o rosto com água fria. Joguei e perdi. Agora tenho de carregar a vergonha comigo. Se isso for possível.
Ela gemeu silenciosamente. Talvez seus sintomas não tivessem nada a ver com o champanhe. Talvez tenham sido induzidos pela tristeza do pior de seus medos confirmados. A solidão a esperava.
Ela fechou os olhos.
Mas ele nunca fingira que haveria uma permanência no relacionamento deles, desde o início. E se ela tivesse simplesmente aceitado o pedido de divórcio quando foi feito, não estaria enfrentando a intensidade dessa dor.
Mas também não teria experimentado a intensidade da paixão. Nunca saberia o que era entregar-se de verdade.
Seu coração dizia-lhe com tristeza que, se lhe dessem a mesma chance agora, não mudaria nada.
Que, embora estivessem terminando mal, estas últimas seis semanas seriam sempre dela. E ninguém, nem mesmo Valentina Colona, poderia tomá-las.
Ela voltou lentamente para o quarto.
Por um momento, permaneceu imóvel, uma estátua branca, olhando para o espelho com olhos pegando fogo.
Depois, lentamente, levantou uma das mãos, pressionando-a contra o abdômen.
Não, ela pensou. Não! Não pode ser verdade. Está apenas atrasada. Isso é tudo. E por causa de tudo que está acontecendo na sua vida. Simplesmente não percebi como o tempo estava passando.
Nunca fui tão regular, lembrou a si mesma. E o estresse pode alterar seu ciclo. Todo mundo sabe.
Alem disso nós... Ele sempre foi tão cuidadoso...
Exceto uma vez, ela pensou, respirando fundo. O dia no chalé quando ela entregou-se pela primeira vez a ele sem reservas. Quando nada tinha importado para nenhum dos dois.
Apenas aquela vez...
Ela voltou para o quarto e deitou na cama, puxando as cobertas sobre o corpo trêmulo. Sussurrando "Não pode ser verdade" repetidas vezes, ela escondeu o rosto no conforto do travesseiro. Sabendo, ao mesmo tempo, que podia ser verdade e que provavelmente era.
E desejando saber como contaria para Zac. O que poderia dizer quando tinha deixado claro que ela não tinha mais papel algum na vida dele. Sabendo que essa era a última coisa que ele pretendia.
Precisava decidir o que fazer.
E, nesse exato momento, Vane escutou um leve ruído e percebeu que a porta de comunicação estava sendo aberta.
Oh, Deus!, ela pensou. Ele deve ter me escutado.
Ela fechou os olhos e se forçou a respirar fundo. Mas, ao mesmo tempo, teve certeza de que ele tinha atravessado o quarto.
Soube quando ele parou ao lado da cama. Pôde sentir os olhos dele olhando para ela. Ele disse o nome dela suavemente, mas ela não respondeu, nem mesmo vibrou os cílios. E, finalmente, escutou-o suspirar e sair.
Mais tarde, teve certeza de que ele já tinha saído para o trabalho, cochilou mais um pouco e foi acordada pela voz de Apollonia: "Seu café-da-manhã, signora."
Ela sentou-se afastando os cabelos do rosto e mordendo o lábio, quando o cheiro do café a atingiu fazendo com que enjôo voltasse.
Ela disse:
- Leve embora, por favor. Não estou com fome.
A jovem sacudiu os ombros com a usual indiferença, mas por um segundo os olhos dela ficaram vivos de curiosidade e malícia.
Não gosto dela, pensou. Fui uma boba quando a deixei ficar.
Mas Apollonia era a menor das preocupações. Quando desceu, Vane encontrou uma pilha de recados. Ashley e Monique tinham ligado duas vezes, mas Vane estava sem energia para retornar as ligações.
Ela disse a Gaspare que estava com dor de cabeça e que iria descansar na sala durante o resto da manhã.
Comentem!!!
- Condessa - ela disse. - Este é um prazer há muito adiado. Sou Valentina Colona. - Ela ofereceu a mão e Vane permitiu que seus dedos a tocassem. Ela olhou Vane de cima a baixo. - Seu vestido é charmoso - ela disse. - Mas no futuro você deveria vir falar comigo. Sei muito bem do que Zackary gosta.
- Obrigada. - Vane encontrou voz em algum lugar. - Mas você esteve fora, e talvez descubra que o gosto dele mudou na sua ausência.
Quando ela saiu, ouviu um arquejo que a seguiu.
- Vanessa. – Monique Blue, esposa de outro amigo de Zac, veio correndo na direção dela, o rosto pálido de raiva. - Como ela ousa vir aqui quando não foi convidada? Porque eu sei que não foi. - Ela abraçou Vane com força. - Deixe meu Corbin encontrar Zackary, cara. Faça-o levá-la para casa.
- De jeito nenhum. - Vane ergueu o rosto. - Vim para uma festa e pretendo me divertir. Vamos pegar um champanhe.
Bianca arregalou os olhos.
- Mas isso é sensato?
- Infinitamente mais sensato do que eu ir para casa, acredite - Vane disse vivamente.
Porque eu não tenho casa. Apenas uma casa vazia na Inglaterra.
Havia muita gente na festa e os salões eram palaciais. Demorou quase 45 minutos para Zackary achá-la. Vane estava em um salão flertando determinadamente com um membro da Embaixada britânica quando ela o viu vindo em sua direção. O jovem lançou um olhar para o rosto do conde e percebeu que sua sorte tinha mudado para pior, discretamente desaparecendo quando Zac pegou a taça da mão dela.
- Quantas taças você tomou? - ele perguntou asperamente.
Ela levantou o rosto de modo desafiador.
- Ainda não o suficiente, signore.
- Pegue seu xale. Estamos indo.
- Mas nós acabamos de chegar - ela protestou. - E ainda há tantas pessoas adoráveis para conhecer!
- Mas vão ter de esperar uma outra ocasião. - Ele fez uma pausa. - Vanessa, eu não gostaria de ter de carregar você até a porta.
- Você faria uma cena dessas em público? - Vane o desafiou. - Não acredito.
- Sem cena. Explicaria que o calor do salão fez você desmaiar. -A mão dele fechou-se no braço dela. - Agora venha comigo.
Nenhuma palavra foi dita no caminho de volta para casa.
Eu não sei por que você está tão bravo, Vane dirigiu-se a ele em silêncio. Acho que a parte machucada aqui sou eu.
A não ser que você tenha escutado o que eu disse para Valentina e esteja irritado por causa disso. Mas o que eu poderia ter feito? Só escutado? Pense bem, signore.
Quando entraram em casa, ela foi direto para o quarto sem se preocupar em desejar-lhe um formal boa noite.
É assim? Ela entra na nossa vida e eu de repente desapareço? É o que eles querem? O que eles esperam?
Ela começou a andar de um lado para o outro.
Não acredito que o desejo de Zackary esteja morto. Que podia me desejar tanto uma noite e na seguinte me excluir.
Não posso acreditar.
Mas eu permiti que esse estranhamento acontecesse entre nós. Nunca o desafiei. Deixei meu orgulho idiota ficar no meio do caminho, justo quando preciso tanto dele. Não apenas como meu amante, mas como o marido que me provoca e que ri comigo. Que me aconchega em seus braços enquanto eu durmo e que segura minha mão quando estou nervosa.
Certamente deve haver alguma coisa sobrando para mim.
Meu Deus, contentar-me-ia com tão pouco. Tão pouco.
Se eu pudesse fazer com que ele me desejasse novamente...
Ela escutou-o entrar em seu quarto e viu a luz acendendo. Então, respirando fundo, foi até a porta de comunicação e bateu.
Ele abriu imediatamente.
- É tarde. Achei que você estivesse dormindo. Precisa descansar.
Ela sorriu para ele.
- Não vou conseguir descansar se tiver de dormir com este vestido, signore. - Ela virou-se de costas. - O zíper. Você se importa?
Ele ficou em silêncio por um momento.
- Onde está Apollonia? - Ele perguntou asperamente. - É para isso que ela é paga.
- Você dispensou-a à noite, esqueceu? - Ela olhou para ele por cima de um dos ombros. - Por favor, me ajude, Zackary. - Ela tentou sorrir. - Você nunca fez objeção antes.
Os dedos dele pareciam gelo em sua pele nua, e tremiam enquanto desprendiam o pequeno gancho, depois o zíper. Lentamente, ela deixou o vestido descer até o chão. Depois virou-se para olhá-lo, levantando a mão para tirar o grampo da nuca, permitindo que seus cabelos caíssem sobre os ombros.
Ela viu uma ânsia no brilho dos olhos que ele não conseguia disfarçar. Ela sentiu um quê de esperança quando pronunciou o nome dele, suavemente, e esperou que ele a tocasse.
Mas ele recuou, o rosto e a voz sem expressão quando disse:
- Boa noite, Vanessa. Durma bem.
E então a porta se fechou entre eles como uma conclusão terrível. Excluindo-a antes que pudesse falar. Antes que pudesse perguntar por quê. Deixando-a saber que seu corpo não tinha mais nada a lhe oferecer. Que tudo entre eles havia verdadeira e irrevogavelmente acabado.
A dor que sentia parecia não ter fim. Uma dor que carregaria consigo para sempre.
Vida real. Sem segunda chance.
E ela deitou-se como uma pedra, e as lágrimas de choque e desespero escorreram, finalmente, sobre seu rosto.
comentem!!!
Uma tarde, ela estava deitada no sofá lendo, quando Gaspare entrou na sala para dizer-lhe que Zackary não voltaria naquela noite.
- Ele precisa terminar um negócio esta noite, signora, mas as negociações não estão indo bem. E também tem uma reunião bem cedo amanhã. Então vai ser mais conveniente para ele permanecer na cidade.
Vane levantou-se, colocando o livro de lado.
- Ele está na linha? Vou falar com ele.
- O recado veio da secretária, signora.
- Oh, sim, claro.
Essas coisas acontecem, ela disse a si mesma, tentando voltar para a leitura do livro. Mas não conseguia se concentrar. Queria que ele tivesse telefonado, que tivesse falado com ela. E ela teria dito: o quê? Por favor, venha para casa, por mais tarde que seja. Estou com saudades.
O que estava a um passo de distância das palavras proibidas: "Eu amo você." Então, provavelmente era melhor deixar as coisas como estavam.
Jantou sozinha e não encontrou conforto na cama.
No dia seguinte, os olhos estavam pesados. Mas, mesmo assim, o esperava, ansiosa. Mas quando retornou, os pensamentos dele estavam em outro lugar. No fim do jantar, ele se levantou.
- Tenho trabalho a fazer, Vanessa. Você me dá licença?
- Claro.
Ele deu a volta na mesa e beijou-lhe a mão, depois o rosto, em um gesto que a fez se lembrar de seus primeiros e formais dias de casamento. Dias que ela pensou que estariam sempre para trás.
- Você parece cansada, mia cara. Vou tomar cuidado para não incomodá-la mais tarde.
Um longo tempo depois ela o escutou subir as escadas. Ela viu a luz do quarto ao lado sob a porta, como fizera todas as noites durante aquela solitária lua-de-mel.
Ela percebeu que ele estava mandando-lhe a inevitável mensagem de que tinham chegado ao início do fim do casamento.
E ela ficou deitada, encarando a impenetrável escuridão.
* * *
Vane aplicou uma última camada de rímel nos cílios e sentou-se, olhando para seu reflexo. Cosméticos eram apenas uma máscara frágil, ela pensou. Não conseguiam esconder suas olheiras. Os sinais que assinalavam sua infelicidade.
Ela levantou-se e caminhou até a cama que já ocupava sozinha há duas longas semanas. Seu vestido a esperava. Um vestido sofisticado para uma festa importante na casa de um dos banqueiros mais renomados de Roma. Uma grande ocasião, e talvez a última que freqüentaria como esposa de zackary.
E iria bonita. Estava determinada a isso, ela pensou, quando Apollonia fez uma de suas aparições silenciosas para ajudá-la com a roupa.
Não seria fácil voltar para a Inglaterra e começar mais uma vida de isolamento.
Apollonia nada disse enquanto a ajudava colocar o vestido no lugar, mas fechar o zíper tornou-se uma luta inesperada e Vane pôde escutá-la murmurando.
Bem, não pode ser porque eu ganhei peso, ela pensou, pois andava completamente sem apetite nas últimas semanas. Zac raramente jantava em casa e ela só comia para evitar deixar Rosanna chateada.
Ele já a esperava no hall olhando para o espaço com olhos que pareciam nada ver. E Vane, descendo lentamente as escadas, viu com dor como ele parecia exausto.
Querido, ela sussurrou em silêncio. Oh, meu amor, meu amor...
Por um momento, ocorreu-lhe que ele talvez não estivesse achando tão fácil ordenar sua partida quanto imaginara. Mas sabia que estava sendo ingênua.
Por essa razão, lutou contra o impulso arrebatador de correr pelas escadas na direção de Zac, jogar os braços em volta dele e tirar toda aquela tristeza do rosto másculo com um beijo. Porque um ato desses não a levaria a nada.
E pouca coisa importava agora além de seu orgulho e dignidade.
Naquele momento, ele levantou o rosto e a viu. Por um momento, ela achou ter visto uma luz cintilar nos olhos dele.
Mas tudo o que ele disse foi um frio e formal:
- Você está linda hoje, Vanessa. Vamos?
Um dos aposentos da mansão tinha sido reservado para as mulheres deixarem seus xales e retocarem a maquiagem.
Quando Vane virou-se do espelho, uma mulher veio na sua direção. Era alta e tinha postura, os cabelos escuros caíam sobre os ombros, o corpo voluptuoso exibido em um revelador vestido de cetim negro. Os lábios se curvaram, mostrando dentes perfeitos.
Comentem!!
Hoje estou em casa por isso decidi postar mais um capitulo!!
Zac também. Ele virou o rosto imediatamente em direção à porta do banheiro e, seguindo o olhar dele, Vane viu Apollonia ali de pé, segurando uma muda de toalhas limpas e olhando para eles.
Vane escutou-o falando italiano, furioso, até que a porta do quarto bateu e ele voltou sozinho, a expressão irritada.
- Ela vai embora - ele disse categoricamente. - Assim que acharmos uma substituta. - Qual foi o nome que você disse?
- Apollonia. - Ela de repente sentiu compaixão pela jovem cujo emprego dos sonhos terminou antes mesmo de começar. - Zac, não é um pouco precipitado? Ela cometeu um erro. Poderia ter sido pior.
Ele franziu um pouco a testa e colocou um braço em volta da cintura dela.
- Pode ser que mais tarde eu esteja mais caridoso.
Estava saboreando um aperitivo na sala quando Gaspare apareceu. Os preparativos para o jantar tinham sido interrompidos, ele anunciou, porque Apollonia estava chorando nos ombros de Rosana.
- Ela está histérica. Teme que o senhor vá demiti-la.
- O medo é justificado - Zac respondeu. - Mas a condessa me pediu para pensar melhor. Traga-a aqui.
Olhos vermelhos e nariz rosado não melhoraram a aparência de Apollonia.
- Você vai ter mais uma chance. Mas não haverá uma terceira.
Ela tentou beijar a mão dele, mas ele deu um passo para trás.
- Você tem de agradecer a minha esposa - ele disse rispidamente. - Ela defendeu você. Mas lembre-se disso: quando eu e a condessa estivermos sozinhos, não queremos ser incomodados. Capisci?
- E-entendi - a garota murmurou. E virou-se para Vanessa. - Grazie, vossignorina.
- Você tem certeza de que quer ficar com ela, mia cara? - Zac perguntou quando a empregada saiu.
Vane deu um gole em sua bebida.
- Todo mundo merece uma segunda chance, não?
- Merece? - Zac virou-se, a expressão remota enquanto servia-se de mais uma dose de uísque. - Espero que você esteja certa. Mas, de alguma maneira, tenho minhas dúvidas. - Ele levantou o copo, a boca curvando-se cinicamente. - À vida real - ele disse, sem olhar para ela, e bebeu o uísque.
E deixou-a observando-o, sentindo-se estranha, como se um vento gelado tivesse passado pela sala.
Os dias que passaram transformaram-se em semanas e Vane percebeu que Zac não exagerara quando disse que a vida dela iria ficar agitada.
Todo mundo parecia querer conhecer a condessa Efron, e os convites jorravam. Era Zac quem decidia quais aceitar e quais recusar.
Quando aparecia com Zac, era objeto de ávida especulação. Mas como ele raramente se afastava mais que um metro dela, ninguém ousava pronunciar a curiosidade em voz alta. E ele vetou com firmeza todos os pedidos de entrevistas dos editores de jornais e revistas de fofoca.
Também foi poupada de um confronto imediato com Valentina Colona, pois soube por uma reportagem de um jornal que ela estava passando uma temporada nos Estados Unidos.
Algum dia acabaria acontecendo, mas, enquanto isso, Vane preparou-se para a tarefa de aproveitar a vida. E logo descobriu que não era tão difícil.
Tudo estava correndo bem no campo doméstico também. Com uma exceção, é claro. Ainda não tinha dobrado a taciturna Apollonia. Embora não pudesse culpá-la pela indiscrição depois daquela primeira noite, ela ainda tinha a estranha sensação de que, às vezes, ela e Zac não estavam inteiramente sozinhos.
Ou talvez estivesse sendo paranóica, pensou. Esta casa era antiga, então havia possibilidade de ocorrerem pequenos barulhos e rangidos.
Mas a eficiência da jovem era inegável. No primeiro dia em que Vane foi a um jantar formal, Apollonia fez seu cabelo com um nó no topo da cabeça, permitindo que uns fio caíssem em volta do rosto, suavizando o visual.
As ocasiões pelas quais realmente esperava eram os longos jantares informais na casa de amigos ou na casa deles mesmo, regados com abundante vinho, risadas e debates apaixonados sobre qualquer assunto.
Todos a aceitaram completamente. Nenhum deles, por uma palavra ou um olhar, indicou achar estranho terem-na conhecido só depois de três anos. Às vezes perguntava-se o que diriam quando o divórcio fosse anunciado e ela desaparecesse.
Os momentos de que Vane mais gostava eram os que passavam em casa juntos, fosse à noite deitada nos braços dele, conversando ou ouvindo música juntos, quer fosse nos fins-de-semana, quando ficavam preguiçosamente na cama, tomando gostosos cafés-da-manhã, enquanto Zac lia o jornal e resmungava sobre seu conteúdo até, é claro, vê-la rindo dele, quando se esquecia de todas as reportagens.
Era em momentos como esses que se sentia realmente esposa dele. Mas sabia que eram apenas uma ilusão.
Na cama ele ainda era apaixonado e habilidoso, e ambos exploravam por completo a capacidade que tinham de sentir prazer. E Vane não mais fingia que seu ardor não combinava com o dele.
Mas ela sabia que a realidade estava ali rondando, lançando sua sombra sobre a frágil felicidade que viviam.
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Uma hora depois Zac voltou.
Vane estava sentada na penteadeira escovando o cabelo quando percebeu alguma movimentação, como se a casa estivesse acordando com a chegada do chefe. Ela escutou a voz fazendo uma pergunta e abraçou-se mentalmente, pois sabia que ele viria procurá-la.
E, um momento depois, ele apareceu à porta e encostou-se no batente, observando-a em silêncio.
- Oh, olá - Vane tentou soar indiferente. - Você teve um bom dia? - Você a encontrou? Vocês estavam juntos?
O rosto dele relaxou em um sorriso repentino.
- Foi interessante, mia cara. Por que a pergunta?
-Não é isso que esposas devem perguntar quando os maridos chegam do trabalho?
- Como eu saberia? Nunca tive uma esposa.
Ele atravessou o quarto, tirou o paletó e atirou-o na cama, depois tirou a escova das mãos dela.
- Mas, como você perguntou - ele continuou -, achei difícil me concentrar porque estava pensando em você.
Ele curvou-se e beijou-a com intensidade. Quando levantou o corpo, disse:
- Não posso arranhar sua pele. Venha conversar comigo enquanto eu faço a barba, caríssima.
Ela seguiu-o até o banheiro, pegando a camisa e a gravata que ele tinha jogado no chão.
- Você não era desorganizado assim no chalé.
- Mas lá eu não tinha empregados. Aqui é diferente.
- E você não me disse que sabia cozinhar.
- É - ele disse. - Ashley esteve com você. E contou meus segredos.
Nenhum que realmente importe. Ele sentou-se na beira da banheira e aplicou espuma no rosto.
- Falando de empregados - ela disse cuidadosamente. - Eu realmente preciso ter uma serviçal?
- Acho que sim - Zac pegou a lâmina. - Você vai ter uma vida agitada aqui, mia bella, e talvez tenha de trocar de roupa várias vezes ao dia. Vão precisar de alguém para manter seu guarda-roupa em ordem e aconselhar você sobre o que vestir nas várias ocasiões. - E sei que a jovem é bem qualificada, com excelentes referências.
E parece que está sempre* chupando um limão, Vane pensou suspirando.
- Já organizei tudo para você ter um motorista pessoal - ele continuou. - O nome dele é Stefano e você vai conhecê-lo amanhã.
Vane arfou.
- Isso é realmente necessário?
- Claro - ele disse. - Ou eu não o contrataria. É uma medida de segurança, mia bella.
- Não seria mais fácil e mais barato me mandar para casa?
- Não! Pense no que eu gastaria de tempo e de dinheiro para voar para a Inglaterra toda vez que quisesse fazer amor com você. - Ele fez uma pausa. - E no momento, Vanessa, esta é sua casa. Lembre-se disso.
No momento...
- Então? - ele continuou. - Você gostou de Ashley?
- Sim, ela é adorável. - O sorriso dela foi involuntário. - Foi gentil de sua parte providenciar isso.
- Achei que encontrar uma conterrânea talvez tornasse seu exílio mais fácil de suportar - ele disse secamente. Limpou a lâmina e secou o rosto, depois caminhou até ela. - Agradeça-me, então - ele sussurrou.
Ele roçou o rosto recém-barbeado no rosto dela e ela aproximou-se, pressionando o corpo contra o dele, os lábios abrindo-se para um beijo.
E a boca de Zac acariciou a dela, a mão buscou seus seios e ele deixou-a sem ar, sentindo um prazer irresistível.
Ele murmurou o nome dela e puxou-a para mais perto, as mãos deslizaram até o quadril para que seu corpo se encaixasse no dele. Ao mesmo tempo, ela sentiu os lábios dele queimando em seus seios através da lã do suéter.
Mas mesmo com os tremores do desejo como resposta implícita ao toque dele, ela ouviu um ruído.
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